Uma mudança de paradigma

Hoje em dia basta o acesso à internet, uma conta facebook/twitter/blog e já podemos ser considerados analistas político-económicos.

Não há quem não mande a sua “posta”, com uma dose de demagogia por vezes incrível, e sempre a olhar para o seu umbigo. Por mais razão que tenhamos quando discordamos da opção A, B ou C, a verdade é que se não apresentar-mos soluções credíveis não estaremos a ser mais capazes que os decisores. 

Pois a verdadeira questão que se coloca é: “Ask not what your country can do for you… Ask what you can do for your country.” John F. Kennedy.

E só aí estaremos numa linha que nos conduza ao sucesso, por vezes podemos pensar que a nossa voz não chega lá acima, então porque não agir e posicionar-mo-nos para que lá chegue? Porque é que pertencer a uma organização partidária tem de ser algo mau? A base faz sem dúvida um excelente trabalho, e é assim que se vai melhorando o mundo em que vivemos!

Há ainda outro problema que devemos resolver. Os portugueses são bons em várias áreas é verdade, têm personalidades destacadas pelo Mundo, com provas dadas. Muitas vezes podemos pensar que se eu der o melhor de mim e todos dermos, que isso conduzirá ao sucesso do todo. Mas está errado! Errado e provado! 

Veja-se a teoria dos pontos de equilíbrio em jogos de N-pessoas de John Nash. Nós devemos sim dar o nosso melhor, não em prol de um objectivo individual mas sim do colectivo, só assim o sucesso será em larga escala!

Treinadores de bancada somos todos, agora players a contribuir para o objectivo que todos os dias exigimos… 

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Os eventos desportivos e a electricidade, em Portugal

Recentemente fiz um trabalho acerca da influência dos eventos desportivos, durante a hora de pico, na curva da procura de electricidade.

Devendo ser a electricidade uma preocupação para todos nós, tanto ao nível ambiental como económico, e muito numa lógica de solidariedade intergeracional, devemos todos procurar atenuar os seus picos de procura e alisar o seu consumo diário.

Quero um dia aprofundar este estudo porém, deixo aqui para já algumas conclusões a que penso ter chegado.

Conclui então que em países de menor dimensão, os maiores eventos futebolísticos com transmissão televisiva têm um impacto positiva no pico da procura eléctrica, quer sejam de clubes ou de selecções. Nos países de maiores dimensões, a massa associativa e simpatizante de um clube parecem-me não ser suficientes para tornar mais homogéneo o pico da procura ou até mesmo deslocá-lo para outra hora, será preciso então uma “nação” de apoiantes para alterar o pico da procura.

Assim sendo as barreiras à entrada, no que toca à possibilidade de assistir aos jogos grandes televisivamente, juntamente com a sua realização na hora de pico têm uma influência positiva na mesma, tornando-a mais homogénea e deslocando alguma da sua procura para outras horas do dia.

Espero ver aqui algumas considerações acerca do tema, é sem dúvida uma área de estudo fascinante!

Resultados fictícios?

Um dos grandes objectivos deste Governo para combater a crise sempre foi a estabilização da Balança Comercial Portuguesa.

E a verdade é que as medidas tomadas levaram à concretização desse objectivo. Mas será que este indicador é um sinal realmente positivo para o país? Será que as medidas tomadas levaram a um aumento da capacidade exportadora, ou levaram simplesmente a uma gigante queda no consumo que por sua vez se reflecte nas importações? Ou será, mesmo que estas medidas, que têm vindo a fazer crescer na população os sinais de pobreza, e levaram à venda das suas peças de ouros e afins, para conseguirem manter a sua dignidade, foi o grande impulsionador das exportações que agora já têm vindo a registar um abrandamento?

Estaremos a chegar ao princípio de um fim?

 

Outro dado fictício (a meu ver) que observámos no mês passado foi o recuo na taxa de Desemprego para os 15,7% em 1 p.p. em Setembro em relação a Agosto. Soube-se hoje que cerca de 2500 desempregados anularam a sua inscrição no centro de emprego porque iriam emigrar. Será então esta a explicação para o recuo na taxa? Se for não a podemos ver com bom olhos, pois não é fruto de um bom desenvolvimento da Economia Portuguesa.

 

Será então este o caminho que devemos continuar a seguir? Há algo que precisa de ser reestruturado, este plano não nos está a levar a bom porto, e parece que as ideias no Governo para medidas alternativas já estão a desaparecer, como se pode ver pela ajuda que o FMI vai dar nos cortes na despesa do Estado.

Continuamos a viver um mundo de ficção mas desta vez não é cor-de-rosa, é cinzento, e não o devemos deixar chegar a preto!

Demagogias finito!

Campanhas eleitorais…

Elas são caras, elas são pagas também pelos seus eleitores, elas são falsas e abusivas, elas são esclarecedoras e determinantes. As campanhas, seja o seu universo eleitoral político, desportivo, estudantil, etc., elas são o melhor de dois mundos.

Hoje dei por mim a ler que estas eleições nos EUA, são as mais caras de sempre (4,4 mil milhões de €uros em jogo), apesar de toda a conjuntura económica que o Mundo, nomeadamente os EUA, vive.

Engraçado, há um ano acharia este acontecimento, completamente desprovido de decência e respeito pela população. Hoje não, hoje sei o sentido de uma campanha, e quanto maior as dificuldades que um país atravesse, mais lógico se torna os gastos nas mesmas, não há tempo para populismos, há sim tempo para esclarecimentos e para chegar ao maior número de eleitores de forma esclarecedora.

Hoje apeteceu-me expressar-me contra esta demagogia. Porque hoje sei também que a bancada do PS não pode andar de Clio, mas muito menos dizê-lo.

P.S.(D) Li uma nota que argumenta a favor do uso do ouro por parte dos Estados da Zona-Euro como um seguro à sua dívida pública, de modo a diminuir os riscos e, mais importante, os custos de financiamento. Que vos parece?

Bom timing?

Foi atribuído este ano o prémio Nobel da Paz à União Europeia, por mais de 6 décadas de contributo para o avanço da paz e reconciliação, democracia e direitos humanos na Europa.

 

É verdade que o trabalho tem sido notável e que o ambicioso projecto tem dado frutos, mas será este o timing ideal para o prémio? Numa altura de crise económica e social, sem precedentes na história moderna da União Europeia. O resultado de inúmeras más decisões dos grandes líderes europeus, que tem levado a imensas manifestações de revolta por parte dos povos contra a forma como a comunidade está a ser gerida, e pela forma como os direitos de inúmeras pessoas estão a ser violados! Numa altura em que as desigualdades sociais estão a acentuar-se e a justiça social em decadência.

Numa altura em que o Estado Social, extremamente necessário, foi talvez usado em demasia com o objectivo de re-eleições, e agora pela sua insustentabilidade é quase nulo, é que o momento de se galardoar este projecto?

Eu não concordo, mas se julgam que são grãozinhos de areia como este que vão parar a revolta emocional dos povos, estão muito enganados…

Cada um colhe aquilo que semeia…

Taxa Tobin?? Taxar as transacções financeiras?

O que é isso? O azedo do murmúrio? A maçã podre do quintal?

Não façam isso que isso é injusto! Nos outros países do Eurogrupo não há nada disso! Tristes, coitados dos nossos banqueiros que vão ter mais uma razão para conceder cada vez menos crédito à nossa economia. E os problemas de concorrência? Não vêm que eles vão ficar para trás nos lucros, no que toca à compra dívida de países como o nosso, em relação aos restantes bancos de países do Eurogrupo (dívida que se diz de alto risco e que nós nos matamos e conformamos a trabalhar para a pagar)?

Por momentos pensei que a política deste Governo, em consonância com os banqueiros, fosse o apoio às empresas exportadoras, e com isso uma redução do crédito disponível para as famílias e consumo, mas vejo que o objectivo se mantém o mesmo, maximizar ao máximo os lucros das entidades bancárias, com recurso a instrumentos de alto risco (que não verdade não são de alto risco) à custa do consumo e pagos com o trabalho!

Mas neste país é assim, as coisas que menos importam são as que mais reacções comportam. Veja-se o alarido acerca do livro erótico da Alice Vieira! Um erro dos “energúmenos” do Plano Nacional de Leitura (segundo a própria), que colocaram o seu livro como aconselhado no plano de estudos dos miúdos de 7 anos, ao invés de colocarem nos de 16, 17 e 18 anos! “Energúmeno” seria o professor que colocasse esse livro no seu plano curricular, às crianças de 2º ano, sem antes o ter lido! Logo por aí é um erro sem consequências práticas “à priori” e que já está mais que sinalizado e resolvido… Programa cheios de erotismo, sexo, drogas e álcool às 6 e 7 da tarde, que todos os miúdos assistem, é que não sensibilizam ninguém para a revolta que hoje se viu pelas redes sociais!

Como digo este é um país que vive de “miudezas” então só tem direito a “miudezas”.

Veja-se o IMI?!?! Estou conectado a cerca de 2000 pessoas na rede social “Facebook”. Apenas uma, se manifestou acerca do assunto! Mas é claro, o livro da Alice é que importa!

E é por estas e por outras que estamos como estamos, e que somos o que somos, um grande exemplo da brincadeira que estão a ser as medidas de austeridade impostas no nosso país, que já se prevê terem um efeito recessivo três vezes superior ao inicialmente previsto…

Finalizo a revolta com uma frase, no mínimo engraçada, do Presidente Executivo da Galp, Ferreira de Oliveira: “Galp está como peixe na água em ambientes concorrenciais”, fica para reflexão…

O Recomeço

Bem-Vindos à Officina Typographica de Hermes!

Este será o meu novo espaço de reflexão e discussão política, económica e, quando houver tempo e necessidade, do resto…

Deixo-vos para já uma questão: até quando sobreviverá este Hermes (Protector dos Diplomatas e Comerciantes…) português, naquele que está a ser, talvez, o período sócio-económico mais negro dos tempos modernos no nosso país?

Eu digo não à revolução e violência, mas avance-se com a justiça no julgamento! E vós? Que dizeis?